Dia mundial do rock

Dia mundial do rock

O Rock’n’Roll sempre foi um género musical para gente diferente. Seja qual for a  manifestação, estilo, estética ou ritmo é, acima de tudo, uma forma de vida.

As suas raízes são a voz e a guitarra de alguém que quer mais do que pode ter, e esse desejo vem ao de cima na visceralidade de guitarras elétricas em volumes pouco aconselháveis, e nas palavras cruas que exorcizam fantasmas e frustrações.

E tudo começou no blues.

Os músicos negros norte-americanos não tinham expressão comercial nos Estados Unidos da primeira metade do século. Os seus discos eram pouco promovidos nas rádios e os concertos eram apenas para as comunidades afro-americanas, que encontraram nos ritmos mais mexidos um escape nas suas vidas. Depois da Segunda Guerra Mundial, e com um maior acesso a equipamentos de reprodução sonora, a próspera juventude branca americana começou a descobrir essa música que não passava nas rádios, e a ficar infectada com a franqueza que os músicos colocavam nas suas canções.

Até então, o que se ouvia era muito polido, educado, dirigido a um público mais velho, que exigia alguma sofisticação e um sentido de classe. Mas, com a invenção da adolescência, os jovens descobriram que tinham um sentido de rebelião que já não conseguiam negar. E a banda sonora dessa revolução foi o Rock’n’Roll.

Nascido nos blues, e depois com um incremento rítmico nos rythm’n’blues, esta nova música começou a ter procura. Numa sociedade segregada como era a América dos anos 50, foi um factor de aproximação entre jovens de comunidades que não podiam ser mais diferentes nas perspectivas de vida e classe social. Alguns radialistas perceberam que este novo som era o futuro, embora as editoras continuassem a colocá-la nas listas de música negra. Fats Domino, Chuck Berry, BB King começaram a ser nomes reconhecidos e os seus estilos imitados por outros músicos.

Percebendo que existia um mercado com um grande potencial, a indústria discográfica apropriou-se das canções desses e outros músicos, e deu-lhes uma cara mais suave, mais aceitável, mais branca, sempre achando que o rock seria uma moda passageira. No entanto, houve outros que viram mais longe e começaram as suas próprias editoras para editarem os músicos que estavam a construir uma nova cena musical.

Um desses empreendedores foi Sam Phillips que, com a sua Sun Records, começou a gravar alguns artistas negros que interpretavam este novo género musical. Mas, confrontado com as dificuldades de distribuição destes artistas, procurou músicos brancos que conseguissem transmitir toda a energia que estava contida naquelas progressões típicas do blues, mas que quebravam barreiras e convenções musicais e sociais.

Quando um jovem bem parecido e tímido começou a rondar o seu estúdio, para lhe mostrar umas canções que tinha feito, Phillips não ficou imediatamente convencido, apesar de perceber que esse jovem tinha um potencial incrível. Quando lhe pediu para mostrar não as suas músicas mas as interpretações que fazia de canções blues, percebeu que lhe tinha saído a lotaria. O nome desse jovem? Elvis Presley.

Sam Phillips não inventou o Rock’n’Roll, mas tirou-o das sombras. Presley foi um fenómeno de popularidade imediato, mas na sua lista de artistas estavam Carl Perkins (que se não fosse um acidente de carro que lhe interrompeu a carreira provavelmente seria ele o Rei do Rock’n’Roll), Johnny Cash e BB King.

A partir daí, como se diz, é História, com H grande. E a História do Rock está recheada de tragédias, de perseguições, motins, mas também de muita alegria, dança, vida e revoluções, como aconteceu nessa década de 1950, quando a música passou a ser algo completamente diferente e a ter um peso surpreendente na vida das pessoas.

Se quiserem aprender um pouco mais sobre as origens desta filosofia de vida que é o Rock’n’Roll, recomendamos que leiam The Sound of the City: The Rise of Rock and Roll, de Charles Gillet, onde as origens e atribulações dessa era estão bem explicadas. Ou então, vejam este documentário que nos mostra como tudo mudou em menos de 10 anos.

Artigo extraído do Blog www.salaomusical.com

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